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Alda Rosa

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20.08.2020

A pandemia continua a preencher os nossos dias. Inevitavelmente, as actividades vão sendo marcadas por sucessivas limitações. De movimento, de proximidade, de relacionamento. 

Este é um podcast que vive da conversa, de preferência boa e frente a frente.


É por isso admirável a receptividade de Alda Rosa ao meu convite para uma gravação em sua casa. No entanto, apesar da disponibilidade, não deixou de me alertar para um fenómeno que a assola com frequência: torna a conversa vadia, deixa as palavras dimanar sem rumo aparente. Uma qualidade, digo eu.


Apesar de já ter sido algumas vezes mencionada por críticos e investigadores de design em Portugal, a vida desta mulher nascida em 1936 continua a precisar de ser estudada. 

Designer, mulher e asmática, três adversidades – de medida diferente, claro – com as quais teve que aprender a viver num Portugal fechado para o mundo. Há uma obra gráfica com grande importância ainda por ser analisada e, sobretudo, dada a conhecer.


Juntamente com Cristina Reis, José Brandão, Sallete Brandão, Moura-George, Jorge Pacheco, entre outros, faz parte da primeira geração de licenciados em design gráfico em Portugal e que por sua vez, influenciaram as gerações seguintes.

A Alda Rosa é nova, moderna e adulta. Uma lição de dignidade, leveza de pensamento e a realização da noção de que a idade é apenas um número. 


Este episódio é uma amostra das mais de 6 horas de conversa com esta designer de Lisboa. Muito haveria ainda para conversar mas, no regresso a casa lembrei-me particularmente de um tópico que terá que ficar para uma nova conversa: a vinda de Robin Fior para Portugal teve mão de Alda Rosa.


Foto de José Pedro Santa-Bárbara